

Gosto bastante (embora, em uma rápida digressão mnemônica, percebo que não li tantos, assim), de livros que - em realidade- são transcrições de cursos, palestras, aulas. É como escutar um disco ao vivo: as versões dos raciocínios e das construções são episodicamente diferentes das que seriam pensadas estáticas, na solidão de um quarto, gabinete, com a companhia apenas das teclas e dos rabiscos eventuais. Algumas imperfeições charmosas. O cara muda um que outro tom/arranjo, faz joguinhos com palavras trocando algumas letras. Lança um cover inesperado. É a pessoa supostamente in natura.
Não diria que prefiro frente a um livro, digamos, normal, mas tem um certo apelo peculiar: li um punhado daqueles do Foucault onde ele maravilhosamente decidia que o rumo do curso e seu tema seria bruscamente alterado justamente por um misto de coisas que ele estava querendo discutir no momento com um desvio repentino desde algo que ele falou em alguma de suas janelas abertas metodológicas que não raramente ele ia desenvolvendo ao vivo. O Nascimento da biopolítica, Em defesa da sociedade, Os anormais. Chiquérrimo um pensador ter "temporadas anuais" em uma instituição (no caso dele e desses cursos, o Collège de France, em Paris)
** um ligeiro (mas incrível) vislumbre de como eram esses cursos e seus ambientes (além de panoramas sobre a Paris dos anos 1970 e sobre as concorridas "aulestras" de Gilles Deleuze), você pode ter através dos relatos do craque (e saudoso) Roberto Machado, no seu delicioso Impressões de Michel Foucault, com sua narração desde o olho do furacão - voltarei a referir o doce mestre ainda nesse texto
Utilizei, em meu último livro, várias das digressões tomadas por Antonio Negri em um famoso curso de 1979, também em Paris, cujos fascículos que consistiam em cada aula/conferência formam a obra agrupada sob o nome Marx Além de Marx. Juntamente com o fundamental lançamento recente em português das transcrições literais/diretas do curso incompleto que Mark Fisher vinha dando na Goldsmiths' College, em Londres, até a data de sua morte, em 2017, batizado de Desejo Pós-Capitalista (no caso desse, transcrições verdadeiramente cruas do material das aulas registrado em áudio, reto daí para a edição - in natura mesmo).
Esse caldeirão todo me deixava cada vez mais empolgado para começar a ler os dois enormes volumes que comprei ano passado, com um desconto generoso, na famosa Feira do Livro da USP, no Campus do Butantã, em São Paulo: O Zaratustra de Nietzsche, notas sobre o seminário ministrado por Carl Jung, cujos encontros periódicos de discussão e leitura se realizaram fundamentalmente na segunda metade dos anos 1930 (com início em 1934 e final em 1939), no Clube de Psicologia de Zurique, Suíça. Prometi que só iniciaria a leitura para mergulhar com ganas após os últimos retoques em meu próprio livro e sua consequente publicação. Até porque há um certo capítulo (o sétimo, para quem eventualmente esteja imaginando) do meu escrito onde reencontro esse controverso e fascinante pensador (Nietzsche) e sua obra mais emblemática (Assim falava Zaratustra - ainda que não seja minha preferida). Vontade e timing pareciam não faltar. Faltava time em sentido estrito.
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Carl Jung é outro que há tempos eu gostaria de reencontrar. Pensador no qual me debrucei há algo como 20 anos atrás, como uma chave de leitura para abrir minha mente para as possibilidades da interdisciplinaridade e transversalidades em pesquisa e para me refugiar um pouco da chatice monocromática de uma advocacia cotidiana que estava me dando nos nervos.
Em minha fase junguiana, fiz cursos (um era um encontro semanal de leitura e discussão orientado por uma especialista qualificadíssima que durou mais de ano), devorei parte considerável de sua extensa - e confusa - bibliografia (as mudanças de rumo e alterações conceituais são constantes na trajetória), bem como mergulhei em Marie Von Franz e vários outros de seus discípulos(as) e entusiastas que tratavam de arredondar alguns dos ásperos insights de Jung para consumo geral, e me arrisquei até a um período de análise com uma psicóloga junguiana, para inclusive ter a experiência completa. Tudo muito frutífero, inclusive as sessões com a psicóloga, que cobrava um valor por cada uma delas digno de sua destreza - e, meu deus, era muito boa. Pelas tantas, entre seguir e ir à falência, quem tomou a decisão foi a conta do supermercado (ladeada pela da luz e a do condomínio) - tristemente. Eram tempos de vacas magérrimas, whatever.
Ensinamentos junguianos permeiam meu primeiro livro publicado (fruto de minha pesquisa de mestrado), onde eu discuto considerações a partir de sua psicologia e suas simbologias, em meio às decisões judiciais que versam sobre crimes sexuais e todo o material pesado com o qual elas lidam, fora e, no caso, especialmente dentro da pessoa que julga. Minha crucial hipótese (nem um pouco inédita) era a de que quem julga, exprime juízos e define os rumos de casos envoltos em relatos tão chocantes e com tanto potencial para mexer com muita coisa em nosso campo psíquico, volta e meia, acaba por usar seu papel de decisor como uma espécie de chicote moral involuntário - quando não termina em uma espécie velada e bizarra de "auto análise" na sentença. Todo cuidado é pouco.
(Não acho um escrito ruim, considerando a 'estreia' em termos de publicação, mas hoje em dia tenho um certo ranço com sua imaturidade, no instante em que assalta e empareda algumas fragilidades óbvias do Direito e seus operadores com um arsenal externo que torna a tarefa de soltar farpas e exibir incongruências uma espécie de jogo no modo easy. Tem partes que saltam aos olhos ainda revestidas de um orgulho particular pela ousadia e mesmo pelo despudor kitsch de 'jovem'. Outras, não vou mentir: reescreveria, mas nada alarmante que não significasse a verdade que me refletia na época. Talvez polido excessivamente e preenchida a inexperiência de então e algumas ingenuidades com a vivência e o excesso de prudência de alguém com muita estrada a mais, o livro seria um saco, hoje. Deixemos ele como está, para o bem e para o mal).
(No livro, então, Nietzsche ganha considerável protagonismo, idem. Até pelo liame que perpassa Nietzsche e chega em algum momento em Jung, ainda que à moda de uma espécie de telefone sem fio de ideias por vezes distorcidas no caminho - descontando-se o fato de que Nietzsche foi um filósofo quando não criminosamente mal interpretado, um tanto quando apreendido por pessoas que queriam falar com ele na mão tal um fantoche ou ventríloquo, sempre relendo e preenchendo suas lacunas e sombras com considerações ao seu gosto. Jung, como Heidegger, não escapa disso. Foucault e Deleuze, em minha humilde opinião, usam-no como ferramenta, de um jeito mais respeitoso e digno - e útil).
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Em primeiro lugar esqueça um certo paiol de bobagens costumeiras que vem à reboque quando se fala de Carl Jung, desde aquela em que ele é o pai da new age (um tanto verdade, se imaginássemos algo com um mínimo de rigor e não uma papagaiada para divulgar música instrumental para meditação sem comprometimento e curas mágicas absurdas fraudulentas), até coisas como sua legitimação do tarot e da astrologia (ao meu ver, embora eu não seja adepto, vão muito bem obrigado, sem precisar de uma espécie de selo de reconhecimento cientificista estrito no qual Jung não era nem exatamente o mais indicado para dar).
Seu interesse por questões como essas, e seus estudos interessantes sobre mitologia, religiões, simbologias respectivas, alquimia, e sua aproximação com uma metafísica por vezes despudorada (mas sempre abordada de forma densa e erudita), realmente o afastaram cada vez mais ao longo da carreira de uma espécie de pretensão de validação médico-antropológica próxima do que Freud e sua corrente psicanalítica procurava resplandecer mais fortemente. Mas isso não significa que Jung possa ser resumido ao manancial bobo-alegre que volta e meia busca nele legitimação a partir de exageros grotescos em coisas que ele não disse e em temas enviesados onde ele transitou de alguns modos que não permitem qualquer livre associação de ideias.
Em resumo: a luta é antiga para tentar tirar Carl Jung das mãos de sequestradores tilelê que têm nele e em seu suposto olhar condescendente para misticismos (vários) e mandingas (algumas) uma espécie de estandarte de um amálgama de conceitos que podem se misturar e ser usados à la carte por quem quer validar qualquer coisa e uma série de espiritualidades mixurucas que confundem ritos, tradições e ritualísticas praticadas à moda de araque como se absorvidas desde o almanaque vendido na banca da esquina - ou o vídeo curto de rede social para candidatos a gurus e sacerdotisas apressadinhos(as).
Seria bom voltar a ler e a pensar Jung, com Jung. Jung ao vivo. Jung 'professor'. Jung sem freio. Jung falando de Nietzsche, explicando e interpretando Nietzsche. Já despontaria potencialmente como um dos livros mais importantes da minha biblioteca. Teria todos os ingredientes para não ter como dar errado. Eu entraria de cabeça com gosto nesse livro e não descolaria dele e depois de seu segundo volume.
Bem, eu imaginava.
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Sem meias palavras: a obra é um porre.
É, sim, um curso. Um curso completo sobre como ninguém deveria conduzir nenhum seminário, nunca, na realidade.
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Concluí o primeiro volume e estou há tempos ensaiando para escrever aqui sobre a experiência catastrófica que foi, tanto que sequer esse texto sobre conseguiu ser desenvolvido antes - descontados os momentos em que tínhamos temas mais importantes para abranger, mesmo em um descompromissado blog semanal. Só de pensar em falar a respeito, já vinham ares de martírio e revirar de olhos.
Se nos primeiros encontros vemos Jung conduzir seus alunos/ouvintes por um previsível misto de interpretação das parábolas repletas de complexas metáforas e figuras visuais que Nietzsche entrega sem dó em seu Zaratustra com seu próprio conjunto teórico-psicológico e acompanhar uma espécie de linha mestra que é dada pela narrativa nietzscheana, não demora muito para o tema das discussões se perverter em uma cansativa e sonolenta exposição atroz da erudição junguiana, com o mestre promovendo tantos desvios quantos acha necessário para expor muito mais algo como sua pregação em estilo freestyle do que qualquer comprometimento com a (suposta) obra tema dos seminários. Por vezes uma pequena alusão interpretada de modo aterrorizantemente aberto, vago, por Jung, é a ponte para um desgarrar completo onde a leitura nietzscheana pelos presentes se torna mero detalhe para elucubrações e arriscares por vezes bastante forçados pelo mestre.
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Aliás, há pontos notadamente alarmantes e/ou dramáticos na leitura, quando vemos que uma certa fleuma característica de um intelectual já de grande vulto, à época, e dotado de arrojo e de uma aura que lhe conferia um status estrelado em vários círculos, se transforma rapidamente em um ar pedante ao nível do insuportável.
Jung volta e meia inicia os encontros (todos transcritos) com leituras de questionamentos realizados pela plateia do curso (geralmente identificados por nomes de homens e mulheres da alta sociedade esclarecida da época - e alguns participam entusiasmadamente - embora, havendo igualmente, manifestações anônimas, na forma de bilhetes endereçados a ele de forma apócrifa), elaborados entre um e outro encontro (os encontros eram em grande parte mensais).
Ali se revela uma face bastante espinhosa e desagradável do 'professor': quem ler o volume, identificará três padrões de respostas-comentários de Jung às manifestações. Quando vinha uma pergunta fácil ou um tipo comum de pergunta-exaltação que nada mais é do que plataforma aberta para o orador se refestelar em seu próprio argumento, o professor respondia com entusiasmo e energia sensíveis. Quando vinha alguma pergunta um tanto mais cabeluda ou que visava demonstrar alguma consideração pessoal por parte dos interlocutores(as), Jung usava a abstração ou captação do texto para sua própria versão interpretativa, quase como se a pessoa lhe mandasse uma espécie de passe livre para discorrer autonomamente sem qualquer vínculo expresso com o que fora questionado - ou tomando isso como um pálido ponto de partida para outra coisa.
Em mais de uma vez, no entanto, questionamentos mais ousados e até possivelmente críticos (ou em forma de pretenso diálogo com as elucubrações de Jung) foram respondidos por ele com um ora tom irônico mordaz, ora pretensamente desinteressado dando indícios de que o que se via ali era um show privado que não aceitava diversionismo de protagonistas (e pelo teor das indagações e contribuições, é possível dizer que, se não era uma plateia de igual nível intelectual à do ministrante, era certamente um público visivelmente ilustrado e nada neófito - e com um notado entusiasmo pela obra-alvo: as perguntas e contribuições eram sempre relativas às possíveis interpretações e significados dos capítulos do texto estudado. As respostas, pelas tantas, quase nunca).
Em dado momento, pensei comigo que ao invés de O Zaratustra de Nietzsche, o volume podia se chamar O qualquer coisa de Jung, dado que pelas tantas o Zaratustra e suas metáforas eram como que um planeta distante observado via equipamentos telescópicos, e o percurso nada mais era do que uma auto diatribe onde Jung percorre caminhos que parecem apenas excitantes para si mesmo e para interessados em uma bajulação constante e sonolenta de sua própria sabedoria e de seu repertório de leituras e capacidade de interconectar histórias via metáforas e exemplos clínicos que a todo instante tira da cartola.
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Memórias, Sonhos e Reflexões, a autobiografia de Jung é um livro incrível, misto de relato sentimental com uma exposição nua e crua de seu raciocínio teórico e é considerada por muitos uma autobiografia exemplar porque mergulha de forma eucêntrica no "personagem" principal de maneira contundente. Aqui, nesse volume, há uma espécie de versão bizarra disso: Jung quer, ao fim e ao cabo, quase exclusivamente falar mais de si mesmo e a todo tempo receber aplausos por isso.
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Com sinceridade, pouca coisa se aproveita em termos de fazer algum tipo de hermenêutica potente da obra nietzscheana. Estava preparado para uma leitura bastante particular e bastante puxada para sua própria brasa (como no ditado): não haveria problema de Jung mostrar-nos o seu Zaratustra (paradoxalmente) do seu Nietzsche. Eu já inclusive contava com isso, na tentativa/vontade inicial de retornar ao autor. O que se encontra na obra, no entanto, é algo que mais parece um registro fiel da veneração de um público seleto para com o disruptivo dissidente da psicanálise (essa, já, por si, dissidente da psiquiatria arcaica que se praticava na época que Freud começa a despontar com suas ideias) do que algum tipo de discussão séria em termos da obra do filósofo-tema.
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É basicamente uma reescrita oral do livro como se seu percurso efetivo e seu texto, em si, fosse um tipo de lastro inteiramente opcional. É quase medíocre, em um certo sentido (da mesma forma que o seria demonstrar habilidade com um cavaquinho em uma competição de pianistas). É um curso sobre uma obra onde a obra é mero detalhe para se desenvolver qualquer coisa relativa à teoria que Jung pessoalmente considera válida. Desespera o leitor minimamente conhecedor. Da metade do volume para frente, é um percurso pouquíssimo nutritivo e amplamente tedioso.
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Nietzsche - e seu livro aqui respectivo - ganharam interpretações e leituras múltiplas ao longo dos anos, mas todas elas, por mais distintas que sejam, procuram respeitar alguns cânones de seu pensamento demonstrados à moda de uma alegoria ou mesmo uma peça teatral operística no Zaratustra. A leitura junguiana é incrivelmente alheia a isso: logicamente anterior à recarga e às diretrizes que se tornaram comuns sobre o pensamento de Nietzsche (que vieram com força retomadas desde os anos 1960) - mesmo aquelas antagonistas ou críticas - a apropriação, aqui, é uma espécie de sessão de psicologia hipotética do homem-autor, bastante liberta de qualquer modéstia ou compromisso, com uma caça ao tesouro referencial onde Jung não usa seu arsenal para eventualmente convencer quanto ao Nietzsche que mais lhe agrada. Em realidade, ele procura a todo instante indícios onde seria Nietzsche - ao estilo 'de volta para o futuro' - quem lhe daria vazão (e razão) em termos de resplandecer seus cavalos de batalha típicos.
Jung aos poucos transforma o Zaratustra em uma obra não apenas sua, mas em uma obra, mal disfarçadamente, sobre si.
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O livro (Zaratustra) anda decepcionantemente pouco frente ao conteúdo cansativo das divagações em termos de pontos-chave, não para Nietzsche, mas para os interesses do próprio Jung. Há algum tipo de esperança em relação ao volume dois ser diferente, mas, afinal, estou querendo enganar quem, além de mim mesmo?
Passei a ter medo que o tempo gasto com o estudo/leitura de um material tão denso seja mais uma vez um tremendo abacaxi de horas perdidas, onde alguns pontos cruciais da narrativa nietzscheana perigam ser abordados ou com um desdém ofensivo, ou com uma série de mais e mais especulações ornamentais que pouco ou nada contribuirão para a empolgação com o riquíssimo original.
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A ver. Antes que pergunte, sim, sou desses que termino livros, mesmo que por birra. Ando rápido, folheio com má vontade, em muitos casos. Mas encerro a tarefa.
Há algo que parece muito errado em adquirir dois volumes de uma obra e simplesmente abrir mão de ler um deles.
Foi Borges, creio, que mandou que não insistíssemos em livros que não estão servindo, como um sapato de número menor. Ainda não consegui de forma livre me condicionar para tanto sem parecer derrotado.
Bem, o verão está logo ali - e o volume dois na prateleira, agora, em baixo do um.
UM FILME: assisti Creation Stories, suposta biografia de Alan McGee, o gênio por trás da Creation Records e seu impacto definitivo na música britânica e mundial desde os anos 80, sendo o garimpeiro e descobridor de bandas como Jesus and Mary Chain, Primal Scream, My Bloody Valentine e, bem: Oasis. Se por um lado é divertido em larga escala, é o tipo de fórmula inglesa/escocesa que se torna um tanto repetitiva e requentada: oferecer uma contação de história meio histriônica, entrecortada com viagens de drogas e uma certa "gritaria" narrativa na mesma frequência da loucura do personagem. De longe é difícil diferenciar esse de 24 hour party people, de outro maluco importante, sobre outra gravadora crucial. Impossível não simpatizar com Ewen Bremmer desde Trainspotting, embora ele faça sempre o mesmo papel, aparentemente.
UM LIVRO: __________ (nada a declarar).
UM DISCO: excepcionalmente hoje o disco será substituído por um podcast: se vocês querem uma interpretação singela, certeira, delicada e empolgada do Zaratustra de Nietzsche, podem ir direto para essa sequência de três aulas/conversas que o já referido Roberto Machado ministrou nos anos 90, disponibilizadas no Spotify. O link para a primeira torna intuitivo o caminho para as demais: aqui.
Machado era um dos melhores intérpretes e comentaristas do duo Nietzsche + Foucault e a forma serena como ele fala da obra contrasta inteiramente com o peso modorrento da condução dos seminários de Jung.